Seja bem vindo
São Paulo,14/06/2024

      • A +
      • A -
      Publicidade

      "Sofer": escriba, em hebraico

      Somente os mais cuidadosos eram selecionados


      Um estudo feito por historiadores comprovou que, se um texto de aproximadamente dez folhas for copiado à mão por um indivíduo e, por conseguinte, passado adiante para que seja transcrito novamente por cinquenta outras pessoas, em sua última versão, este não se parecerá em nada com o marco inicial, resultando num manuscrito completamente modificado. Levando em conta diversos pretextos, é comum que haja alteração de linguagem, conforme os maneirismos e interpretações que dependem da consciência do copista e de sua capacidade de raciocínio lógico e tradução.

       

      Para ilustrar melhor, consideremos o exemplo da própria Ilíada, de Homero — um poema épico grego, dos mais importantes da história. A obra sofreu incontáveis transformações ao longo dos séculos e das inúmeras traduções. Apreciadores do autor protestam que "a essência permanece, mesmo que a assinatura autoral possa ter se perdido".

       

       

      Em contrapartida, ao tomarmos como análise central um pergaminho encontrado numa das cavernas de Hirbet Qumran, a pouco mais de 200 metros do Mar Morto, constatamos um verso facilmente identificado como o trecho do Salmos 133, no hebraico original, que dizia: 

       

       

      “Quão suave é que os irmãos vivam em harmonia”. 

       

       

      Surpreendente? Sim, pois esta é uma versão extremamente semelhante a que temos atualmente nas Bíblias acessíveis às nossas mãos. Este documento é datado de mais de dois mil anos atrás, acentuando que não sofreu basicamente alteração alguma de interpretação e "assinatura autoral" até os dias de hoje.

       

       

      Como pode?

       


      De fato, a Bíblia Sagrada é o único livro que se mantém rigidamente fiel à sua origem apesar de ser a obra mais traduzida do mundo e a primeira a ter sido impressa (para mais informações, leia o estudo: A reproduçãos dos livros através da Bíblia).

       

       

      No passado, cada escriba designado a escrever uma parte do pergaminho era compelido a memorizar com afinco os mínimos detalhes do versículo predisposto à sua missão. Então, após terminá-lo, outro escriba mais experiente e confiável revisava o trabalho do anterior. Caso fosse encontrado alguma deficiência estética — afinal, a letra do escriba também fazia parte da incumbência — ou, principalmente, um conteúdo que gerasse discrepância direta às Escrituras originais e que não pudesse ser corrigida sem maiores rasuras, o pergaminho inteiro era enterrado num local secreto para que não fosse lido, sequer encontrado.

       


      A responsabilidade dos antigos “sofer” (escriba, em hebraico) era gigantesca, não somente por se tratar de um documento importante, mas porque outras pessoas não poderiam ser levadas ao erro através de um descuido tido como imprecisão humana. Para isso, somente os mais cuidadosos eram selecionados. 

       

       

      Hodiernamente, ainda existem escribas ao redor do mundo, transcrevendo do original os versículos bíblicos diretamente em couro de antílopes, como antigamente. Uma única página desta, custa aproximadamente cinco mil reais e despende ao “sofer” sete meses para completar somente os cinco primeiros livros da Bíblia, conhecido como Torá.

       




      COMENTÁRIOS

      Buscar

      Alterar Local

      Anuncie Aqui

      Escolha abaixo onde deseja anunciar.

      Efetue o Login